26/06/06 – Prateleira 02
Bom, aqui estamos em mais uma sessão prateleira. Lembre-se de que são apenas comentários e sugestões muito particulares. Discorde, apóie e comente. Vamos lá.
Música:
01. “A Voz e o Violão” de Djavan.
Esse disco de 1976 é o primeiro da discografia desse grande músico e compositor Alagoano. Sou um tanto suspeito para falar das coisas desse artista, pois quem conhece meu trabalho sabe bem que Djavan é uma de minhas principais influências. Tinha eu meus 14 ou 15 anos de idade quando, com atenção, ouvi esse disco pela primeira vez. É um trabalho simplesmente primoroso. Um tratado de samba e brasilidade, com harmonias inusitadas, violões hipnotizantes e belíssimas composições. Aliás, comecei a me interessar por tocar violão após ouvir esse disco e “Zona de Fronteira” de João Bosco (que com certeza comentarei em breve). O repertório inclui o sucesso Flor de Lis, Na Boca do Beco, Maçã do Rosto, Pára-Raio, E Que Deus Ajude, Quantas Voltas Dá o Mundo, Maria das Mercedes, Muito Obrigado, Embola a Bola (Cateretê), Fato Consumado (segundo lugar no Festival da Globo de 1975), Magia e Ventos do Norte. Djavan certamente deve ter surpreendido muita gente com esse seu album debutante cheio de ginga e balanço. Mais um grande trabalho de um grande nome da música brasileira. Um fato interessante é que o disco foi relançado mais tarde com uma outra capa (que traz a foto de uma flor de lis no lugar da foto do jovem compositor).
02. “Brown Sugar” de D’Angelo

Mais um primeiro disco inesquecível. Nessa sua estréia de 1995, D’Angelo avisa que veio para mexer com as estruturas do R&B americano, tornando-se assim um dos representantes de peso do movimento “new-soul” do início daquela década (junto com nomes como Maxwell, Guru Jazzmatazz e Erykah Badu). Com o sucesso da canção “Lady” atingindo a lista top 10 da Billboard o disco ganhou notoriedade internacional e trouxe à tona essa interessante mistura de acid jazz, funk e soul. Os arranjos passeiam por influências de Stevie Wonder, James Brown, George Benson, Prince e outros feras do “groove”. É um disco que serve tanto para momentos calorosos (vocês sabem o que quero dizer…) como para relaxar e curtir o som sozinho. Traz programações e arranjos vocais excelentes, muita ginga, bom humor e sensualidade. Eis o repertório: Brown Sugar, Alright, Jonz in my Bonz, Me and Those Dreamin’ Eyes of Mine, Shit Damn Motherfucker (engraçadíssima), Smooth, Cruisin’, When We Get By, Lady, Higher. Só para registrar, o segundo disco “Voodoo” de 2000 também é espetacular (falo mais dele em outra ocasião).
Livro:
“Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago – Semana passada falei de um grande autor Espanhol (Cervantes), agora permaneço na peninsula Ibérica indicando uma obra de um grande escritor Português. O livro foi publicado pela primeira vez em 1995 e logo tornou-se um grande sucesso editorial ao redor do mundo. A história conta as mazelas de uma sociedade que é estranhamente acometida por uma epidemia de uma diferente cegueira branca. Um por um, todos vão perdendo a visão e aprendem, da pior maneira possível, como o caos social é banal e facilmente estabelecido. A falta do sentido visual dá lugar a uma total e generalizada falta de senso e razão no convívio com os outros (sabemos mais ou menos o que é isso, principalmente pelas demonstrações de desordem e desespero dos eventos que atingiram o ápice no dia 15 de maio aqui mesmo em São Paulo). Saramago soube retratar bem nessa obra a natureza humana. É um livro muito interessante e fácil de ler, com a vantagem de ter sido escrito em nossa língua natal, dispensando assim a busca por boas traduções. A edição que tenho em casa é a sétima reimpressão da Companhia das Letras de 1998 e traz na capa a “Reprodução Proibida” do pintor René Magritte.
DVD/VHS:
“O Poderoso Chefão (The Godfather)” de Francis Ford Coppola
Nesse clássico de 1972, o diretor Coppola cria a principal referência cinematográfica sobre a máfia. Marlon Brando, o jovem e ainda desconhecido Al Pacino, Robert Duvall, James Caan, Talia Shire, Diane Keaton e grande elenco protagonizam um dos melhores filmes já produzidos sobre o assunto. A história é uma adaptação do romance homônimo de Mário Puzo (que assina junto com Coppola o roteiro do filme), e fala sobre a vida do “cappo” Vito Corleone, de sua família e de outros mafiosos de origem ítalo-americana em Nova Iorque. Apesar das dificuldades que o diretor teve no início das filmagens (principalmente a discussões com o estúdio Paramount sobre a escalação do elenco), “O Poderoso Chefão – Parte I” beira, na minha modesta e amadora opinião, a perfeição. Tudo é memorável; atuações, roteiro, figurino, direção, fotografia e música (assinada por Nino Rota). Contém cenas inesquecíveis como a da cabeça ensanguentada de cavalo, a do assassinato de Sonny Corleone no pedágio e a da laranja na boca de Don Corleone no final de sua vida. Traz ainda interessantes curiosidades: a Paramount quase rejeitou a participação de Al Pacino por este ser ainda um ator inexperiente. Diz-se que Robert de Niro (que atua no segundo filme da trilogia como o jovem Vito Corleone) fez testes para fazer um dos filhos da família Corleone e acabou rejeitado. A parte 2 também é muito boa. A parte 3 é a menos comentada e, francamente, a menos empolgante.
Por hoje é isso. Semana que vem deixo outras dicas. Espero que sejam úteis. Por favor comentem. Grande abraço, J.O.

Fala pessoal! Essa é a capa finalizada de meu mais novo disco "Simples...".
O cd estará disponível nas lojas a partir da metade do mês de junho (antes disso na megastore do UOL).
Ele traz, entre outras coisas, a faixa "Tiro Onda" tema de Foguinho (Lázaro Ramos) da novela Cobras e Lagartos e tem a s participações especiais de Paula Lima (na música "Todo Dia") e Luciana Mello (em "O Que Pensam as Estrelas?").
O projeto gráfico é de Camilla Sola e Flávio Giannotti da Casa do Design e as fotos do encarte são de Ike Levy.
Espero que gostem; aguardem as novidades.
Muita música na alma.
Jair Oliveira